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Monthly Archives: janeiro 2015

O clube de Radioamadores de joaçaba C.R.A.J gostaria de agradeçer a colaboração do amigo Eder Luiz, do Portal Eder Luiz pelo apoio que tem nos dado para a divulgação do clube.

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EchoLink  è um software que permite estações licenciadas de rádio amador  se comunicar uns com os outros através da Internet, utilizando streaming de áudio-tecnologia. O programa permite conexões em todo o mundo a ser feita entre as estações, ou do computador para a estação, aumentando muito as capacidades de comunicação de rádio amador. Existem mais de 200.000 usuários em todo o mundo – validados em 151º do mundo 193 nações – com cerca de 5.200 on-line a qualquer momento

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Ele é oferecido gratuitamente e pode ser baixado AQUI para efetuar o download efetue o  registre inserindo seu indicativo e e-mail nos campos Callsign: indicativo e E-Mail Address: seu E-mail .

EchoLinkVista Layout do Programa .

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(clique na imagem para ampliar )

 

1         DEFESA DO MUNICÍPIO  199

 

2         POLÍCIA MILITAR   190

 

3       BOMBEIROS    193

 

4        DEFESA CIVIL DE SC   (48) 3664-7000

 

5         SAMU   192

 

6         POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL   191

 
7      POLÍCIA RODOVIÁRIA ESTADUAL   198

 

8          DENÚNCIAS   181

Uma História e um exemplo ….

Na primeira semana de julho de 1983, tudo corria bem, dentro dos padrões brasileiros, no noticiário dos jornais impressos. O presidente João Baptista Figueiredo estava se afastando do cargo e viajaria aos Estados Unidos para tratar de um problema de saúde, deixando o vice Aureliano Chaves no comando da Nação. No jornal “O Estado”, principal veículo da imprensa catarinense na época, a Transbrasil publicou um anúncio de página inteira informando sobre um desconto de 30% nas passagens para aquele mês, quando muitos iriam para Buenos Aires ou Disneyworld. Nenhuma intempérie, nenhum cataclismo, nenhuma tragédia à vista. Só o que destoou foi uma ameaça de bomba na agência central do Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), na Capital.

vovo-alda-pp5asn Alda Niemeyer ainda atua como radioamadora em Blumenau

PP5 ASN. Era esse o comando que Alda Niemeyer, que em 1983 tinha 63 anos, usava para sua identificação durante a enchente. É o que ela usa até hoje, com chuva ou com céu azul, aos 93 anos. Radioamadora, Alda foi convocada durante a enchente pela Telesc, antiga companhia telefônica, para auxiliar nos contatos mundo afora. Afinal, nada mais funcionava na estrutura da empresa de telefonia. “Nós, radioamadores, somos soldados em épocas de enchente”, resumiu Alda, que até hoje se emociona ao falar da maior tragédia vivida por Blumenau e região.

A manhã era gelada em Blumenau, típica dos meses de inverno. Desde o casamento da filha, no fim de junho, o céu estava sempre cinza na cidade. “Foi muita água ininterrupta”, garantiu Alda. Tantos dias sem parar de chover obrigaram a radioamadora a deixar a casa e correr para o apartamento da filha, recém-casada.

Junto foi o precioso equipamento de rádio. Foi por meio dele que ela recebeu uma informação chocante. “Da Defesa Civil de Florianópolis me pediram para avisar a Prefeitura de Blumenau que em poucas horas o rio encheria 14 metros. Nem podia imaginar o que aquele número representaria em destruição para a cidade”, contou.

Após receber a notícia, Alda deixou a casa. Para trás, além dos 4.000 livros da biblioteca, ficaram dois pianos de cauda e as antenas do equipamento. Quando foi convocada a ser personagem principal da história das enchentes, Alda voltou com os engenheiros até a casa, com água pelas janelas, para recuperar as antenas e começar o que ela chama de “uma verdadeira aventura”. “Eles perguntaram se eu poderia emprestar o equipamento. Eu disse que sim, mas queria saber quem o utilizaria”. A resposta do técnico da Telesc surpreendeu. “Que eu deveria ir junto, afinal ninguém sabia operar o rádio”, relembrou.

alda Trabalho 24 horas

Foram mais de 30 dias de trabalho árduo. Durante 24 horas Alda ficava ao lado do equipamento que a colocava em contato com o mundo. Foi por meio dos sinais emitidos de Blumenau que ela conseguiu sensibilizar outros países a enviarem doações aos catarinenses.

“Da Alemanha vieram caixas de roupas, sapatos e até mesmo de remédios que foram doados por um farmacêutico”, recordou. Para vir da Europa para Santa Catarina, as doações atravessaram o oceano sem custo por meio das companhias aéreas Lufthansa e Varig.

Mais de perto, em Curitiba (PR), uma empresa de água mineral enviou 937 mil litros de água potável, todos embalados cuidadosamente em plásticos para não serem contaminados pela água suja da enchente. “De todos os lugares vinham contatos perguntando o que precisávamos. Nessas horas é que nos damos conta do quanto o ser humano pode ser bondoso”, orgulha-se Alda, que faz questão de enfatizar. “Um radioamador sozinho pouco pode fazer. Somos sempre uma equipe unida”, completou.

:: Páginas de jornal contam a história da enchente de 1983 em Santa Catarina

Socorro aos doentes

Misturadas às notícias da vinda de doações, Alda ouviu pelo equipamento de rádio inúmeros pedidos de socorro. Pessoas doentes, com fome e frio que precisavam de ajuda imediata.

Em um ponto mais afastado de Blumenau, ela conta que um casal de radioamadores pedia urgentemente por um helicóptero. Uma linda menininha de olhos verdes estava doente e precisava ser levada para um hospital o mais rápido possível. “Fizemos o contato, mas quando a equipe chegou já não era mais necessário. Não conseguimos fazer com que aquela menina ficasse viva”, lamentou a radioamadora que ouviu o colega, do outro lado da linha, desmaiar de cansaço e desespero no momento da morte da criança.

Com conhecimentos em enfermagem, adquiridos durante a 2ª Guerra Mundial, Alda também precisou auxiliar doentes. Dentro da Telesc, fez os primeiros socorros dos homens que se machucavam constantemente. “Graças a Deus eles tinham um armário grande com ataduras e medicamentos básicos. Eu fazia o atendimento primário e já mandava todos para uma escola onde um médico estava atuando”, disse.

:: Enchente em Santa Catarina: tragédia no Estado completa 30 anos

A volta para casa

Depois de um mês entre idas e vindas do apartamento da filha para a base na Telesc, chegou o momento de desligar o equipamento para reinstalá-lo novamente em casa. Ao lado dos filhos e do marido, Alda Niemeyer viu Blumenau de uma forma que nunca mais quer ver. O lodo, a sujeira atolavam os pés ao entrar em casa. Animais de todos os tipos morreram presos às janelas.

Da biblioteca com mais de 4.000 obras, metade teve que ser jogada fora. Junto com os livros, foram embora os vestidos de algodão. Todos manchados com a sujeira deixada pela água acumulada durante o mês. “Foi um longo trabalho de reconstrução. Para limpar a casa, conseguimos um jato d´água potente que tirou toda a lama que estava aqui dentro”, lembrou a radioamadora, que até hoje mantém em uma porta de correr a marca da enchente: 1,35 metro de altura.

Nas ruas, outro exemplo que Alda guarda com carinho na memória. Comerciantes e moradores uniram-se para que Blumenau ficasse ainda mais bonita do que antes da tragédia. Em meio à lama, floresciam jardins com flores multicoloridas e, mesmo com a umidade, dez dias depois de a água ter baixado, o comércio reabria as portas.

Ela vê na cidade uma fênix, que não renasce das cinzas, mas sim da água das enchentes. “Meu marido costumava dizer que uma enchente para Blumenau é como uma mulher saudável que engravida todos os anos. É um recomeço natural”, pontuou.

24per